Powered By Blogger

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A Razão do Tempo e do Homem

A razão do tempo
é não ter uma razão.
A razão do homem
é ter um pretexto.
O tempo do homem
é a razão do pretexto.
O pretexto do homem
é nunca ter tempo.
O pretexto do tempo
é ter homem.
No fim é sempre um pretexto.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Então é Natal ou Quase isso

Então é natal como diz aquela musiquinha que tanto ouvimos no mês de dezembro.
O dia vinte e cinco se aproxima e o espírito de natal já toma conta de nossos lares e cidades, claro devidamente cobrando seu preço.
Pelas casas aqueles enfeites baratos e de plástico que de cinco apenas três são mantidos intactos o restante e destruído pela mão de uma criança , uma árvore bem decorada e um presépio pintado a mão adquirido nas últimas férias da família, tudo pago em algumas prestações.
Na ceia do dia vinte quatro nada de orações ou muito pouco, todos admirando o show de natal que se passa na tv ou mergulhados em celulares digitando freneticamente, comunicando o mundo a cada segundo os acontecimentos.
#PartiuPresente/#PartiuCeia...
Embaixo da árvore, claro os presentes cada um com um papel mais lindo que o outro, mas o papel é o que menos importa, pois na hora D ele será destruído e arrancado em segundos, hoje em dia não é em todas as casas que se guarda o papel para ser aproveitado em outros presentes, lembro muito bem de minha vó dizendo:  - Cuidado com o papel do presente, depois que tirar dobra bem direitinho e guarda na gaveta junto com os outros.
Na tal gaveta tinha papeis de presentes acredito que de meu batizado e que nunca foram usados, mas sempre estavam por ali se fosse preciso.
No dia seguinte a felicidade e trocada muitas vezes pela decepção dos presentes, insatisfeitos por não terem ganhado o presente desejado.
A os presentes está ai o ponto alto do natal, hoje em dia penso coitado do bom velhinho nem sei como ele se mantém a tantos anos nesse cargo.  
Nada mais que um natal parcelado em 12x sem juros no cartão, ora essa temos que agradar todo mundo e hoje em dia as meias, roupas intimas e brinquedos foram trocados por celulares, computadores e qualquer outra coisa que seja mostrada na tv, algo feito para durar apenas até o mês seguinte.
  

No Escuro e Vendo

E naquele momento que o sono me rondava eu a vi ela delicadamente fechar os olhos, o sorriso se fechou ao menos por algumas horas e aquele doce olhar para mim não era direcionado, mas sabia que no outro lado lá no limite entre o despertar e o dormir eram os meus que ela encarava.
O meu sono se afastou de mim, pois eu mandei para ela e eu ficaria desperto guardando seu sono, ficaria ali com os olhos vidrados escutando sua respiração que  pouco a pouco diminuía ficando quase ao ponto de nada ser escutado, mas nem os sons da noite poderiam afastar aquela respiração de meus ouvidos treinados para atentamente escutar aquele ruído.
Segundos, minutos, horas, dias talvez fiquei ali apenas observando, entre um olhar e outro um toque de leve a tela buscando suas bochechas, cabelos e lábios, mas não era possível e eu sabia, mas mesmo assim o fazia.
Profundamente ela dormia e mesmo assim eu ali permanecia, apenas vendo e observando, lutando contra meu cansaço e meu sono que por ali retornava, não queria dormir ao menos não longe dela.
Deitei-me e recostei em uma melhor posição para ela poder admirar, por ali ficava e poderia passar uma vida apenas a velar aquele sono tão doce, ora tudo aquilo era doce eu pensava.
E eu ficaria uma vida ou quantas outras fossem necessárias e eu ficarei uma noite e quantas forem necessárias apenas vendo, no escuro e vendo e tendo a noite e a vida toda para de ver dormir.

sábado, 21 de dezembro de 2013

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Eis Que

Eis que estamos aqui
perdendo tempo
encontrando tempo
inventando tempo

Eis que aqui não estamos
perdendo nem encontrando
muito menos criando

Eis que aqui levamos
nascemos e morremos
deitamos e sonhamos

Eis que aqui
estamos. 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Contador de Estrelas

Entre tantas coisas que poderia fascinar um homem, ele foi pelo caminho mais incomum, ele sabia que com certeza não era o único, deveria haver outros que assim como ele tinham uma admiração pelas estrelas, mas até aquele momento nenhum tinha passado por sua vida.
Todas as noites ele subia ao ponto mais alto da cidade, um morro, dali longe dos holofotes e do barulho da cidade ele tinha a imensidão do céu somente para ele.
Já fazia muitos anos que ele olhava com carinho para o céu, essa sua paixão teve inicio com seus oito ou nove anos, sempre que podia espiava as estrelas, não sabia o por que e nem precisa ter um motivo aquilo era tão lindo que o fazia apenas pelo prazer, toda noite sempre que podia sentava para contar as estrelas. 
Ela não conseguia compreender o motivo de tanto espanto por parte das pessoas quando revelava sua admiração, era chamado de louco, falavam que era desocupado e que devia fazer algo da vida melhor do que ficar contanto estrelas, parecia que o mundo não tinha tempo para levantar a cabeça e olhar para cima, ele sabia que se isso fosse feito eles compreenderiam os seus motivos.
Dia após dia contava e recontava as estrelas, de tanto fazer isso, sabia exatamente a qual estrela pertencia o número.
Todas as noites, seus olhos se voltavam para as pequenas fagulhas de luz que o a escuridão da noite iluminavam.
Com o passar dos anos quase todas as estrelas já tinha contado, cada uma com seu número e cada número com sua estrela.
Deitado em uma cama de hospital, ele espiava pela janela e terminava de contar as estrelas como de costume, nem o fato de estar deitado quase sem vida o impedia de sua admiração, em seu último suspiro ele contou a última estrela e naquele momento fechou os olhos para nunca mais abrir.
No mesmo dia foi velado e logo após sepultado, o céu pela primeira vez em anos não tinha seu contador oficial, mas naquela noite o céu ganhava uma nova estrela a última delas e a mais brilhante, ali de cima ele contava agora os que aqui na terra ficaram. 


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Falácias do Cotidiano



Ao despertar pela manhã em nossos ouvidos já são despejadas palavras e mais palavras, muitas delas mentiras com uma boa dose de eufemismo.
Sentamos para tomar o café antes de partirmos para um longo dia de labuta, nesse tempo uma breve passada de olhos pelo jornal diário, por ali mais uma dose excessiva de balela, um parágrafo lido e um gole de café para ajudar a descer o engodo que parou na garganta.
Entre trabalhos e ocupações ao longo do dia afastamos um pouco o olhar e os ouvidos das incoerências midiáticas, mas não escapamos dos maldosos comentários de colegas, vizinhos e dos ditos cujos amigos de longa data, pequenas e quase que inofensivas calúnias.
Ao fim do dia, família reunida esperando o levantamento das falácias daquele dia, vindas de todos os pontos do mundo e dos mais remotos lugares, parece que elas estão por toda parte, sentados em torno da tv com os ouvidos e a mente aberta ao telejornal de inteira confiança.
Não escapamos de uma boa dose de mentirinhas ingênuas, quase nem as sentimos, quem sabe somos nós mesmos as mentiras e as mentiras sejam as verdades isso ou quem sabe são apenas minhas mentiras entre tantas outras.